LEXNET NA MÍDIA
A ARTE DE SER EMPRESÁRIO
Sempre tive a maior admiração pelo empresário. Ao longo de minha vida profissional, convivo diariamente com inúmeras pessoas que dedicaram suas vidas à construção e desenvolvimento de um negócio. Pude perceber que estes seres especiais - os Empresários – são dotados de capacidades múltiplas, não raro beirando a genialidade.
Com efeito, a partir de uma idéia ou habilidade, lançam-se eles ao mundo equipados só com o faro para negócios e muita audácia. Oferecem produtos e serviços para os quais, muitas vezes no início não dispõem de qualquer informação sobre a conveniência, necessidade, aceitação ou adequação de preços. Como Quixotes modernos, partem com garra e coragem atrás de seu sonho. Não raro, conseguem desenvolvê-lo de forma prática. Passam a viver do que visualizaram. Conseguem então, e com freqüência, transformar a empresa fruto de sua iniciativa em foco poderoso de desenvolvimento de tecnologias, conquista de mercados, geração de empregos e unidade tributária de expressão.
Claro que a partir de um determinado ponto estes empreendedores cercam-se de profissionais que respondam com qualidade às múltiplas demandas da entidade em crescimento. Mas é sempre a sua força criadora que impulsiona o negócio. Nele, fazem surgir novos investimentos a partir da reinversão do resultado obtido; da motivação do time de colaboradores; do sacrifício pessoal - de tempo e recursos, ajudando com que a empresa continue no seu rumo de sucesso.
Tais empreendedores dotados para a criação empresarial assemelham-se entre si apenas pelo ideal que os impulsiona. No mais, são diferentes e encontrados em todo tipo de extração social. De formados e pós-graduados a humildes agentes que fazem crescer negócios iniciados com mínima expressão, fazem-nos crescer. Seja qual for o caso, é sempre o toque pessoal do dirigente que faz a mágica, e torna possível a criação e o desenvolvimento.
O fenômeno empresarial é de muito e por muitos conhecido e estudado. Não faltam analistas e publicações voltadas para o segmento – outro exemplo de empresariado, por sinal - que trazem suporte e informações em favor do agente econômico do desenvolvimento.
No Brasil mais moderno em que hoje vivemos já se encontram disponíveis excelentes instrumentos para facilitar o começo da atividade. Entidades como o Sebrae são facilitadores e canais de viabilização do nascimento de empresas. Evita que o empreendedor de menor formação administrativa incorra em riscos que significam a sua morte prematura.
Da mesma forma, outros segmentos organizam-se para dar melhor suporte ao empreendedor. Por exemplo, o fenômeno recente do nascimento de redes de escritórios de advocacia de pequeno e médio porte. Estruturados em prestação de serviços abrangentes de todos os aspectos do direito empresarial e com atividade em todo território nacional, facultam ao empresário de menor porte o acesso a serviços técnicos jurídicos de qualidade. Adotando preços razoáveis, asseguram melhor contratação e, assim, aceleram o desenvolvimento de novos negócios.
Cooperativas de compra, como as que se organizam em associações, também são entidades que facilitam a vida do empresário pequeno ou médio. Atuam na reunião de pedidos idênticos de matérias prima ou insumos, e conseguem a massa negocial suficiente para obtenção de melhores preços de compra. Tornam assim mais competitivos os produtos dessas empresas, quando confrontados com os de concorrentes de maior tradição ou fôlego financeiro.
Há que se falar, ainda, de assessorias que hoje se desenvolvem ensinando e viabilizando a ampliação do mercado de atuação da empresa - quer se trate de conquistar novos mercados internos, quer de criar canais de acesso a mercados no exterior.
Enfim, são muitos os instrumentos hoje á disposição dos que se aventuram em novos negócios, criando e desenvolvendo novas empresas. Mas, essas facilidades maiores de hoje, se facilitam o início, não superam nunca o toque criativo do empresário. Sempre haverá, por trás de qualquer atividade que começa, o ímpeto realizador. O afã de fazer dar certo o negócio estimula e impulsiona aquele que com ele sonhou e imaginou pela primeira vez, e muitas vezes contra inúmeras opiniões descrentes.
É, pois, a este ser que acredita no futuro; que arrisca seu parco capital (quando dele dispõe em algum volume, como é o caso do funcionário que, desligado da empresa onde mantinha contrato de trabalho, investe sua indenização de saída em um negócio próprio); que sacrifica a si e a convivência com sua família em incontáveis horas de dedicação ao negócio, que dedico hoje estes comentários e a minha admiração.
Isso para não mencionar, no final, as inúmeras dificuldades do caminho promovidas pelo Estado. Como a enorme e injustificável burocracia que enfrenta para criar a empresa. E, como sobremesa deste prato indigesto, um cipoal de regras administrativas, a demandar o desvio de parte considerável do esforço criativo para o preenchimento de formulários sem fim. Muitas vezes, para irritação, a exigência de informações em duplicidade estabelecida por algum funcionário público sem visão de negócios. Sem falar de que dorme do Congresso Nacional o projeto de simplificação das atividades da pequena e média empresa.
Mas creio que minha homenagem aqui não é isolada. Não são mesmo os EMPRESÁRIOS (assim mesmo, em maiúsculo) dignos de nosso apreço e admiração?
Luiz Eduardo Lopes da Silva é advogado, pós-graduado em direito da empresa, sócio de Lopes da Silva e Guimarães Advogados e consultor jurídico de diversas entidades de classe.
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