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PAIXÃO PELO DIRETO
Entrevista concedida por Dra. Emília Azevedo da Silva do escritório LEXNET de Salvador/BA ao jornalista Clayton Melo.

 

O que a Advocacia tem a ver com a Veterinária? Se pensarmos pelo aspecto racional, talvez seja difícil encontrar semelhanças. Mas se a resposta vier pela emoção, então prepare-se porque há surpresas. Que o diga a Dra. Emília Azevedo da Silva, sócia-gerente do escritório Machado Neto, Bolognesi, Azevedo e Falcão Consultores e Advogados, de Salvador, associado LEXNET desde maio. Na adolescência, quando se preparava para prestar o vestibular, ela ficou em dúvida entre as duas carreiras. Mas passou no curso de Direito e rapidamente ficou encantada com o universo jurídico. Conheça nesta entrevista um pouco mais da história da Dra Emília, profissional pós-graduada em Regulamentação do Serviço Público com foco em Telecomunicações e que atualmente faz o curso de latu sensu Direito e Processo do Trabalho.

Quando a senhora descobriu o interesse pelo Direito?

Na época em que prestei vestibular, só existiam duas faculdades em Salvador: a Federal e a Católica. Prestei para Veterinária, o curso que realmente queria fazer na Federal. Meu pai, no entanto, pediu para eu estudar Direito. E naquela oportunidade não passei em Veterinária, mas entrei em Direito. A princípio pensei em não me matricular e tentar o outro curso no ano seguinte. Mas aceitei o desafio. E não deu outra: apaixonei-me pelo Direito logo no primeiro semestre. Assim, abandonei a idéia de fazer Veterinária, mas a paixão por bichos permanece viva até hoje.

A senhora começou a trabalhar na profissão já na época da universidade?

Sim. Foi num escritório de advocacia de um amigo. Advogávamos para empregados, diferentemente do escritório que mantenho hoje, cujo perfil é empresarial. Fazia peças, acompanhava, ia para o fórum, olhava processos e eles me passavam algumas pequenas peças processuais. Portanto, saí da faculdade já com esse estágio e não parei mais de trabalhar.

E como foi depois de se formar?

 

Ainda continuei certo tempo nesse escritório. Posteriormente fui trabalhar, já como advogada, na então Telebahia (Telecomunicações da Bahia S/A), hoje parte da Telemar, na área de telefonia fixa aqui em Salvador. Era um contrato de trabalho temporário que se estendeu para além dos 120 dias previstos. Mas surgiu uma pressão em cima daqueles que não eram concursados, como eu. Então deixei a vaga e fui advogar num supermercado, a antiga Casas da Banha. O departamento ficava sob minha inteira responsabilidade. Além de fazer a advocacia trabalhista, atuava com a advocacia cível, participava de negociações coletivas, com a presença de advogados veteranos, os velhos donos das redes de supermercado. Não tinha medo: ia lá representar a empresa.

Em que momento a senhora abriu o atual escritório?

Quando deixei a Caraíba, fui para o Baneb – Banco do Estado da Bahia. Preferi deixar o emprego porque buscava uma melhor qualidade de vida. Foi no Baneb que conheci uma de minhas sócias, Lívia Alves Luz Bolognesi, com quem abri o escritório em 1996. Éramos advogadas novas e isso nos aproximou. Daí foi um passo até montarmos nossa empresa, que ficava próximo ao banco. Assim, podíamos passar lá no final da tarde, depois do trabalho. O pessoal do banco sabia disso. Ficamos no Baneb durante quatro anos. Saímos quando a instituição sinalizou que teríamos de deixar a companhia porque não éramos concursadas. Quando nosso chefe disse “não vai dar mais para segurar”, já tínhamos o escritório.

Como foi a transição para a nova fase na carreira?

Foi nervosa porque, da maneira como aconteceu, perde-se a estabilidade financeira, os benefícios que se tem como empregado de uma empresa. Chorei muito, fiquei nervosa. Afinal, tinha um filho e estava separada nessa época. Então surgiu uma certa dose de insegurança. Mas tivemos a felicidade de nunca precisar colocar dinheiro do bolso para manter o escritório. A empresa sempre se sustentou porque tivemos a sorte de ter um cliente inicial que pagava as despesas.

Qual o perfil dos clientes do escritório?

Atendemos a bancos, empresas de telecomunicações, companhias do comércio. Também atuamos com empresas de assistência médica, indústrias etc. Trabalhamos muito na área de contencioso, mas oferecemos consultivo também.

 
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