Há quantos anos o senhor atua na profissão?
Comecei há 32 anos com um escritório pessoal. A constituição do escritório Edson Barcellos como pessoa jurídica data aproximadamente de oito anos. Quando comecei, atuava individualmente. Hoje, tenho três filhas advogadas (Chyntia, Vívian e Ludimila) que trabalham na empresa. No total, a equipe é composta por oito advogados. Trabalhamos sempre na área de direito privado, com assessoria a empresas, bancos. Criamos uma estrutura estável, um grande conceito de escritório no Estado de Goiás. E, continuando a batalha, recentemente passamos a integrar a LEXNET.Confiamos muito na rede por se tratar de uma iniciativa pioneira e inovadora no exercício da advocacia empresarial, o ramo específico do escritório.
O que atraiu o senhor para o Direito? Houve influência familiar?
Um de meus avôs foi juiz. Na época dele o juiz era nomeado, indicado por determinado tempo. Também recebi um grande incentivo de meu pai, que gostava do Direito. Com isso, passei a ler muitos livros sobre Direito, teses jurídicas. Assim tomei gosto e fui fazer advocacia na Universidade Mackenzie, em São Paulo, formando-me em 1972. Logo após vim para Goiânia e abri o escritório.
De que maneira se deu sua primeira experiência profissional?
Ela se deu com o escritório pessoal. Montei-o aqui em Goiânia sem que tivesse feito estágio em outro escritório de advocacia. Meu estágio foi na própria universidade.
E como foi?
Na época em que iniciei era muito difícil. Para se ter uma idéia, adquirir um telefone não era nada fácil, porque o custo era muito elevado em Goiás. Imagine então montar uma sala, comprar os móveis, contratar uma secretária. O período inicial foi um pouco difícil. Mas logo de imediato comecei a atuar com advocacia empresarial e os problemas foram superados.
Que diferenças fundamentais o senhor enxerga entre advogar no período em que ingressou na profissão e agora?
Excetuando-se as dificuldades relacionadas à infra-estrutura, me parecem que as coisas antes eram mais fáceis. Havia menos complexidade nas questões. O contato com os juízes era simplificado, porque havia um contato mais direto. Atualmente em Goiânia, como um centro importante e que cresceu muito, o Judiciário está abarrotado de processos. Então a dificuldade hoje é obter com uma certa urgência a prestação de serviços.
De lá para cá houve grandes mudanças na exigência do perfil do advogado?
Na minha época, a Ordem dos Advogados já exigia a comprovação do exame do exercício do estágio. Isso veio evoluindo. O que percebemos hoje, no entanto, é que a formação do advogado, do bacharel, não é tão boa quanto antes. Os exames da Ordem têm índices de reprovação acima de 80%. Portanto, me parece que o nível cultural não melhorou. Houve uma regressão.
Como mudar esse panorama?
Quem quer ser um grande advogado tem de receber uma boa preparação já no ensino médio e depois cursar uma faculdade de excelente nível. Houve uma proliferação de cursos de direito que prejudicou o nível do ensino e, conseqüentemente, também esses futuros profissionais.
Qual sua avaliação sobre o mercado de Goiânia para o exercício da advocacia?
Acredito que quem é bom profissional, que trabalha com seriedade, terá espaço não só em Goiânia, mas em qualquer lugar. A grande dificuldade hoje talvez seja a seriedade, o interesse, a valorização do cliente e do serviço profissional. Aquele que conseguir reunir esses atributos evidentemente terá lugar no mercado em qualquer cidade ou Estado do país.
Quais são os próximos desafios ou projetos do escritório?
Estamos sempre inovando. É movido por essa busca que o escritório estuda novas áreas de atuação. Nesse sentido, a LEXNET vem aprimorar aquilo que pensamos em termos de atendimento no Brasil. A rede representa um bom desafio não só para nosso escritório, mas também para os demais associados distribuídos pelo país.
Em que sentido o senhor acredita que a rede possa ser benéfica para os associados?
Ela logicamente vai criar oportunidades desafiadoras para cada um dos escritórios. E esse desafio é vencido por meio do intercâmbio, via network, na congregação desses escritórios, no relacionamento entre os clientes compartilhados pelos escritórios. A expectativa é de que a rede não gere apenas bons negócios, mas também contribua para aprimorar a difusão do conhecimento.
Depois de mais de 30 anos de carreira, que lições o senhor aprendeu com o Direito?
Ele representa um papel importante na minha vida. Agimos com paixão, com muito amor, e isso se reflete no atendimento aos clientes. Sempre imprimimos seriedade aos negócios jurídicos e por isso obtivemos sucesso. E uma de minhas grandes satisfações é ter três filhas advogadas que dão seqüência a essa história.
Desde pequenas elas demonstraram interesse pela profissão?
Pois é, nunca as incentivei a cursar Direito. Não obstante, quando cada uma optou por essa área, me senti bastante envaidecido. O importante é que tudo foi feito com muito amor e dedicação.
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