INSTITUCIONAL  
 

PERFIL

DIREITO OU JORNALISMO?
Entrevista concedida pelo dr. Abelardo Pinto Lemos Netto, da LEXNET de Campinas, SP, ao jornalista Clayton Melo.

O Direito empresarial sempre foi o foco de atuação do Lemos e Associados Advocacia?

Sim. O escritório começou com meu pai, Dr. Arthur Pinto de Lemos Netto. Até pela formação dele – foi vice-presidente de uma grande empresa do setor de autopeças daqui de Campinas – a vocação do escritório sempre foi o atendimento a empresas. Segui essa linha já a partir do momento em que ingressei no escritório, e desde então minha formação se deu nessa área. Em 2006, comemoramos 30 anos de empresa.

Até que ponto o fato de o pai do senhor ser advogado influenciou em sua decisão de seguir a profissão?

 
dr. Abelardo

Minha vocação sempre foi Humanas. Tinha muitas dificuldades com Exatas. Antes de prestar vestibular foi curioso, porque optei pelo Direito meia hora antes do encerramento das inscrições para a Fuvest. Não sabia se preferiria ser advogado ou jornalista. Escolhi no escuro. Achava que não necessariamente teria de seguir a carreira do meu pai. Mas acabei seguindo, certamente influenciado por alguma coisa que não estava clara naquele momento. Da mesma forma em 1988, quando me formei na Faculdade do Largo São Francisco da USP, não desejava voltar ao escritório da família. Tinha a idéia de construir minha carreira em São Paulo para, no futuro, voltar para assumir o escritório. Mas não consegui ficar na capital. Era recém-formado e não encontrei as condições que buscava. O mercado era muito complicado para quem havia acabado se formar. Então, voltei. E também possuía bastante experiência empresarial, porque havia trabalhado num grande escritório em São Paulo, o França Ribeiro. Depois fui para a Cargill, onde trabalhei, como estagiário, no departamento jurídico. Inclusive, hoje sou advogado daquela companhia para assuntos relacionados a Campinas. Depois fui para Rhodia. Posteriormente recebi uma proposta do escritório para ficar definitivamente, assumir a posição como advogado. A etapa seguinte foi definir a área em que iria trabalhar. Naquela época, não tínhamos essa coisa tão definida. Mais tarde migrei para o direito tributário.

Por que pensou em cursar Jornalismo?

Pouco antes de prestar o vestibular, fiz um teste vocacional – meio a contragosto, mais fiz. E o resultado era previsível: indicou algo voltado para a área de Humanas. Tive vontade de fazer Jornalismo porque sempre tive facilidades com a leitura e a redação. Escrever para mídia se mostrava algo atraente para mim. Mas acertei ao optar pelo Direito, me saí melhor nessa profissão do que sairia na de Jornalismo. Tenho grandes amigos jornalistas, o que mostra a identidade das áreas.

A identificação começa pelo fato de ambas terem como ferramenta a palavra?

É. O advogado que não sabe se expressar não tem condições de representar alguém. A advocacia nada mais é que a representação. Falamos pelos outros. Numa comparação, podemos dizer que o jornalista não pode ser infiel aos fatos, tem de saber relata-los. O advogado tende, a partir dos fatos, construir um raciocínio lógico que leve o destinatário da mensagem ao convencimento. O jornalista não pode tentar convencer alguém de algo, a não ser aquele que faz um editorial, um artigo. Mas o jornalista que retrata um fato tem de ser fiel a ele, não pode ser tendencioso. Já o advogado precisa tender para o cliente dele. Essa é a grande diferença.

Atualmente o senhor se dedica mais ao Direito Tributário?

Sou o sócio responsável pela área de consultoria tributária. Tenho uma sócia que responde pelo contencioso tributário – ao todo somos cinco sócios no escritório. Construí minha formação acadêmica na área tributária.

 
PARA CRÍTICAS OU SUGESTÕES.