Influências familiares podem ser deter-minantes na definição profissional de muitas pessoas. Há situações, no entanto, em que as novas gerações enveredam pela trilha aberta por aqueles que o precederam, mas de modo muito peculiar. É o caso do Dr. Ronaldo Behrens, sócio do escritório Portugal, Vilela, Behrens e Aguiar Advogados, filiado LEXNET de Belo Horizonte. Formado em Direito pela UFMG, também corre nas suas veias a herança da medicina, como se pode ver na minissérie JK, exibida pela Rede Globo. Na trama, o personagem Odilon é o avô de Ronaldo. Bem-humorado, Odilon se tornou amigo do ex-presidente e de José Maria Alkmim na pensão de dona Cota, e posteriormente foi Secretário Finanças de JK no governo de Minas Gerais, entre outros cargos políticos. Como o pai também é médico, Ronaldo pensou em seguir essa profissão, mas optou pelo Direito. Resumo da história: Ronaldo hoje é um bem-sucedido advogado que se especializou em Direito Hospitalar.
O que o atraiu para o Direito?
Além de advogado, também pensei em ser médico. Mas percebi que o Direito me abriria um leque de possibilidades que me permitiria ter não só uma formação profissional, mas também pessoal, me prepararia pessoalmente para lidar com a questão política – entendida na acepção maior da palavra, não no aspecto eleitoral. Foi isso o que me levou para a profissão que exerço hoje.
O senhor viu a possibilidade de, no Direito, ter uma participação social e política que gerasse um retorno para a sociedade?
Exatamente. Vi que minha possibilidade de atuação seria maior do que como médico. Necessariamente eu faria um trabalho como faz meu pai e fez meu avô – o Odilon Behrens, personagem da minissérie JK, da Rede Globo, é o meu avô. Ele era amigo de Juscelino Kubitschek. A idéia que eu teria era a mesma dele: perfil assistencialista, ir medicar lá. Essa seria uma ajuda um pouco menos efetiva do que se me desse bem no Direito.
Pode contar um pouco mais sobre o avô do senhor?
Ele foi político. Trabalhou como Secretário das Finanças e também de Comunicação de JK e foi quem disponibilizou recursos (ou defendeu, não tenho certeza) para a construção de um Hospital em Belo Horizonte, para os servidores, hoje aberto a toda a população. O hospital recebeu o nome dele. Não o conheci, pois ele morreu em 1959.
O gosto do senhor pela política nasce dessa tradição?
Minha família sempre gostou muito de política. E transporto isso para minha vida pessoal. Minha grande tentativa é participar das articulações no setor de saúde.
O senhor, aliás, integra a Sociedade Brasileira de Direito Médico.
Durante os anos de faculdade, só estudava Direito Administrativo e Constitucional. Era isso o que desejava. Mas depois a vida profissional me conduziu para atuar na defesa de médicos. Meu pai era do Conselho Federal de Medicina, e eu discutia com ele algumas questões. Um dia chegou para mim um cliente médico, indicado por um de meus sócios. Tive bastante sucesso na defesa dele. Foi um caso extremamente difícil, pelo qual fui reconhecido. Comecei então a estudar responsabilidade médica. Posteriormente conquistamos um cliente na área hospitalar, o que cada vez mais me aproximou mais dessa área, hoje minha grande paixão. Desde 2004, quando reordenamos o planejamento estratégico do escritório, a defesa de médicos e direito hospitalar se tornaram meu principal foco de atuação.
Foi uma maneira de aliar a medicina ao direito?
Isso não foi programado, mas foi um pouco de sorte. A vida me levou a isso.
Como o escritório está estruturado?
Somos seis sócios. Éramos quatro no começo. Hoje, esses quatro atuam naquilo que chamamos de butique, pois se referem a áreas muito específicas. Eu, por exemplo, estou ligado ao setor hospitalar, atendo médicos. Outros sócios cuidam de penal, arbitragem e governança corporativa. Há também outros dois sócios que atuam diretamente no operacional, junto com o restante da equipe de advogados.
Como foi a trajetória da empresa até aqui?
Aqui em Minas a família conta muito. E nenhum dos sócios iniciais da empresa pertence a famílias com tradição no Direito. Isso fez com que nos atirássemos no mercado com toda a força. Tínhamos de bater o escanteio e correr para cabecear. A luta foi muita difícil, mas conseguimos os clientes. Essa realidade deu aos sócios um diferencial no atendimento. É o que tentamos transferir agora para os demais advogados do escritório. Em dezembro de 2006 completaremos dez anos de mercado. Queremos ver se fazemos um festão no final do ano para comemorar!
O que planeja em relação a seu futuro profissional?
Tenho na minha formação o curso de pós-graduação em Gestão de Negócios na Fundação Dom Cabral. Isso me proporcionou uma visão de negócios, por mais redundante que possa parecer. Uma visão não só jurídica do negócio, mas da empresa de uma maneira mais ampla. Ampliou meus horizontes. Por exemplo, advogamos para um hospital. Praticamente tenho o papel de consultor não só para as questões estratégicas internas do cliente, mas também para as setoriais (necessidade ou não de participar de associações etc). Portanto, vislumbro para meu futuro me efetivar como um consultor nessa área.